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MEDCuritiba — Medicina e Segurança do Trabalho

Norma regulamentadora

NR-36Segurança e saúde em empresas de abate e processamento de carnes

A NR-36 trata das empresas de abate e processamento de carnes e derivados — um setor com forte presença no Paraná e com um perfil de adoecimento bem definido: lesões musculoesqueléticas por movimento repetitivo em ritmo imposto, agravadas pelo frio, pela umidade e pelo uso contínuo de facas. Por isso a norma é, em grande parte, uma norma de organização do trabalho: pausas psicofisiológicas, dimensionamento do ritmo, rodízio, adequação dos postos e manutenção do fio das facas.

Precisa colocar a NR-36 em dia? Nossa equipe técnica avalia o que já existe e o que falta.

Solicitar orçamento(41) 3086-5050
Assunto
Abate e processamento de carnes e derivados
Origem
Portaria MTb nº 3.214/1978, com revisões posteriores
Aplica-se a
Frigoríficos, abatedouros e unidades de processamento de carnes
Eixo central
Organização do trabalho — ritmo, pausas e rodízio
Pausas
Psicofisiológicas, dimensionadas conforme a jornada
Riscos típicos
Movimento repetitivo, frio, umidade, ruído, corte e queda
Facas
Afiação e manutenção do fio como medida de prevenção, não de produtividade
Normas correlatas
NR-09 · NR-12 · NR-17 · NR-15

01

Definições

Os termos como a NR-36 os define. É por eles que a fiscalização lê a documentação da sua empresa.

Pausa psicofisiológica
Interrupção programada da atividade para recuperação da fadiga, dimensionada conforme a jornada e computada na jornada de trabalho, em local apropriado fora da linha.
Ritmo de trabalho
Cadência imposta pela linha de produção. É o fator de risco mais determinante do setor, porque define quantos movimentos o trabalhador executa por minuto durante toda a jornada.
Rodízio
Alternância entre postos com demandas físicas diferentes, para distribuir a carga entre grupos musculares. Rodízio entre postos igualmente repetitivos não reduz risco.
Exposição ao frio artificial
Permanência em ambientes climatizados abaixo das condições de conforto, exigindo vestimenta adequada, pausas e controle da exposição.
Manutenção do fio
Afiação regular das facas. Faca sem corte exige mais força do trabalhador e aumenta tanto o esforço quanto o risco de acidente por escape da lâmina.

02

Campo de aplicação

Onde a norma incide e onde ela para. A coluna de observação é a que costuma resolver a dúvida real.

SituaçãoIncidênciaObservação
Abate de aves, suínos, bovinos e demais espéciesAplica-seCobre desde a recepção dos animais até a expedição, incluindo cortes, desossa e embalagem.
Unidade de processamento sem abateAplica-seProcessamento, industrialização e embalagem de carnes e derivados estão no escopo.
Áreas de apoio — manutenção, limpeza e expediçãoAplica-seLimpeza industrial concentra riscos próprios: produtos químicos, umidade, ruído e trabalho noturno.
Câmaras frias e ambientes climatizadosExigências de exposição ao frioVestimenta adequada, controle do tempo de permanência e pausas para recuperação térmica.
Postos com movimento repetitivoAplica-se com a NR-17As duas normas se somam: a análise ergonômica sustenta as medidas de organização do trabalho.

03

Obrigações e evidências

Cada obrigação da norma com o papel que a comprova, o prazo e o responsável. Obrigação cumprida sem evidência documental não é cumprida do ponto de vista da fiscalização.

ObrigaçãoEvidência documentalPeriodicidadeResponsável
Conceder pausas psicofisiológicasEscala de pausas e registro da sua aplicaçãoConforme a jornada praticadaEmpregador
Dimensionar o ritmo e a organização do trabalhoRegistro da cadência, do dimensionamento das equipes e das medidas adotadasContínua, com revisão a cada mudança de linhaEmpregador
Adequar postos, mobiliário e ferramentasAvaliação ergonômica e registro das adequaçõesImplantação e mudanças de processoEmpregador
Controlar a exposição ao frio e à umidadeVestimenta fornecida, controle de permanência e avaliação da exposiçãoContínuaEmpregador
Manter as facas afiadas e em condiçõesRotina de afiação e controle de ferramentasDiáriaEmpregador
Proteger máquinas e equipamentos da linhaApreciação de riscos e proteções instaladasPermanenteEmpregador
Capacitar os trabalhadores nos riscos do postoRegistro de capacitação por funçãoAdmissão e mudança de postoEmpregador
Acompanhar a saúde musculoesqueléticaPCMSO com avaliação dirigida e acompanhamento dos casosConforme o PCMSOMédico responsável

04

Cadeia documental

Os documentos na ordem em que um sustenta o outro. Quebrar um elo invalida os seguintes, ainda que eles existam e estejam assinados.

  1. Inventário de riscos do PGR

    Repetitividade, força, frio, umidade, ruído e risco de corte mapeados posto a posto — e não por setor inteiro.

  2. Avaliação ergonômica

    Análise da atividade real por posto, com medição de cadência, posturas e esforço, base das medidas de organização.

  3. Plano de pausas e rodízio

    Escala praticável, com local adequado fora da linha, e rodízio entre postos com demandas efetivamente diferentes.

  4. Adequação de postos e ferramentas

    Altura de trabalho, alcance, apoio, iluminação e ferramentas dimensionadas para a tarefa e para quem a executa.

  5. PCMSO dirigido

    Vigilância musculoesquelética, com acompanhamento dos casos e retorno da informação ao gerenciamento de riscos.

  6. Indicadores de afastamento

    Afastamentos por setor e por posto. É o dado que mostra onde a organização do trabalho não mudou de verdade.

05

Fiscalização

O que o auditor fiscal do trabalho pede numa inspeção sobre o tema, e o que acontece quando algum item não aparece.

  1. 01

    Escala de pausas e comprovação da sua aplicação

  2. 02

    Avaliação ergonômica dos postos e plano de ação

  3. 03

    Cadência da linha e dimensionamento das equipes

  4. 04

    Condições de postos, mobiliário e ferramentas

  5. 05

    Controle da exposição ao frio e vestimenta fornecida

  6. 06

    Rotina de afiação e estado das facas

  7. 07

    Proteções das máquinas da linha

  8. 08

    PCMSO, afastamentos e acompanhamento dos casos

Consequências do descumprimento

Pausa que existe na escala e não na linha

É o achado mais frequente: a escala prevê, a produção não permite. Sem local adequado e sem cobertura do posto, a pausa não acontece — e a fiscalização confere na linha, não no papel.

Afastamento por LER/DORT como custo normal

O setor convive com índices altos de lesão musculoesquelética. Tratar isso como característica do negócio é o que mantém o passivo previdenciário e trabalhista se acumulando.

Faca sem corte, acidente com corte

Lâmina sem fio exige mais força, escapa com mais frequência e aumenta o esforço por movimento. A afiação é medida de segurança antes de ser questão de produtividade.

06

Atuação da MEDCuritiba

Segurança do trabalho, medicina ocupacional e treinamento na mesma equipe técnica — é o que evita o documento de uma frente contradizer o da outra na NR-36.

FrenteO que fazemosEntregaPeriodicidade
Avaliação ergonômicaAnálise da atividade real posto a posto, com cadência, postura, força e repetitividade medidasAEP e AET com recomendaçõesImplantação e mudanças de linha
Organização do trabalhoDesenho do plano de pausas e do rodízio, com viabilidade operacional verificada na linhaPlano de pausas e rodízio implantávelImplantação e revisões
Exposição ao frio e ao ruídoAvaliação dos agentes conforme a NR-09 e definição das medidas de controleRelatórios de avaliação e plano de açãoConforme o plano do PGR
Vigilância da saúdePCMSO dirigido, acompanhamento dos casos musculoesqueléticos e retorno ao trabalhoPCMSO, ASO e relatório analíticoConforme o programa
CapacitaçãoTreinamento por função, com foco em postura, uso de ferramentas e sinais precoces de lesãoRegistro de capacitação por trabalhadorAdmissão e mudança de posto

O que fica com a sua empresa

  1. 01

    Avaliação ergonômica posto a posto

  2. 02

    Plano de pausas e rodízio verificado na operação

  3. 03

    Avaliações de frio e ruído com plano de ação

  4. 04

    PCMSO dirigido e acompanhamento dos casos

  5. 05

    Capacitação por função, com registro

Diálogo técnico com operador em linha de produção

07

Perguntas técnicas

Como as pausas da NR-36 são dimensionadas?

Pela jornada praticada: quanto maior a jornada, maior o tempo total de pausa psicofisiológica. Elas são computadas na jornada de trabalho e precisam acontecer em local apropriado, fora da linha de produção.

O dimensionamento correto é a parte fácil. A difícil é a cobertura do posto durante a pausa — sem ela, a escala existe e a pausa não.

Rodízio resolve o problema da repetitividade?

Só quando alterna demandas efetivamente diferentes. Rodízio entre dois postos igualmente repetitivos, que exigem os mesmos grupos musculares, não reduz a carga — apenas muda o cenário.

É por isso que o plano de rodízio nasce da avaliação ergonômica, e não da escala de produção.

Frio em frigorífico dá insalubridade?

A caracterização segue a NR-15, pelo anexo de frio, e depende da avaliação da exposição — temperatura, tempo de permanência, vestimenta fornecida e regime de trabalho.

Independentemente do adicional, a medida de controle continua exigível: vestimenta adequada, controle do tempo em ambiente frio e pausas para recuperação térmica.

Por que a norma se preocupa com a afiação das facas?

Porque faca sem fio muda a biomecânica do trabalho: o trabalhador aplica mais força a cada movimento, a lâmina escapa com mais frequência e a carga musculoesquelética aumenta ao longo da jornada.

A afiação regular é, ao mesmo tempo, medida de ergonomia e de prevenção de acidente com corte.

O que mais causa afastamento no setor?

As lesões musculoesqueléticas de membros superiores e coluna, por repetitividade em ritmo imposto, agravadas pelo frio e pela postura mantida.

A reversão desse quadro passa por organização do trabalho — cadência, pausas e rodízio —, e não por ginástica laboral isolada, que ajuda mas não compensa a carga de uma linha mal dimensionada.

A NR-36 substitui a NR-17?

Não. Elas se somam: a NR-17 estabelece a avaliação ergonômica preliminar e a análise ergonômica do trabalho, e a NR-36 traz as exigências específicas do setor, inclusive as pausas.

Na prática, a avaliação ergonômica é o documento que fundamenta as medidas de organização do trabalho exigidas aqui.

Vamos cuidar do que importa

Coloque a NR-36 da sua empresa em dia

Uma conversa é suficiente para saber o que já existe, o que está vencido e em quanto tempo a sua empresa fica em conformidade.

Segunda a sexta, das 8h às 18h

Rua Mariano Torres, 47 · Curitiba/PR